quinzenal · nº 01 English
Pico Alto Bushcraft
Do Alto
Boletim Pico Alto Bushcraft
Nº 0114 de agosto de 2026
Agenda nacional

Quatro datas para fechar o ano

O segundo semestre tem quatro encontros, em quatro regiões. Todos com data, lugar e preço, reunidos num lugar só.

Nesta primeira edição: quatro encontros para fechar o ano, com o Nordeste abrindo em outubro, São Paulo entrando no período mais restrito do ano para o uso do fogo, e um jeito de participar de um movimento nacional sem sair da sua região. Antes de tudo isso, uma palavra sobre por que este boletim passa a existir.

Editorial01/09

Por que este boletim nasceu

Um lugar fixo para o que hoje se perde. O que este boletim se compromete a fazer, e o que ele nunca vai ser.

Toda edição vai começar com uma pergunta simples: o que aconteceu no bushcraft brasileiro nestes quinze dias que muda alguma coisa pra quem pratica? Esta primeira merece uma pergunta anterior, que é por que fazer isso.

A informação do nosso meio existe, e é boa. O problema é que ela não fica. Data de encontro circula até ninguém saber mais qual é a versão certa. Regra de fogo muda no meio da estação seca e a maioria descobre tarde. Conhecimento que levou anos de mato pra existir se dilui em conversa, e depois não se acha mais.

O Do Alto é a tentativa de dar um lugar fixo pra isso. A cada quinze dias: o que estiver marcado no calendário do bushcraft brasileiro, o que a estação estiver pedindo de atenção, e uma prática pra treinar até a próxima edição. Por escrito, com data, num arquivo que você pode guardar e repassar.

Três compromissos sustentam isso. Fonte: toda afirmação aqui foi conferida antes de virar linha, e as fontes vão listadas no fim. Data e local a gente copia de quem organiza. Honestidade de agenda: se a quinzena não tiver notícia de peso, o boletim não inventa uma, entrega a prática e diz que a rodada foi de mato calmo. E clareza sobre a escolha: qualquer pessoa pode sugerir pauta, inclusive quem apoia, e quem decide o que entra sou eu.

Este boletim também não vai ser arena de polêmica. Aqui a régua é a prática, a segurança e o encontro entre grupos.

Ele é feito no Pico Alto, mas não é sobre o Pico Alto. Serve pra quem pratica, de qualquer grupo. Por isso a agenda é aberta: se o seu grupo marcou encontro, se a sua escola abriu turma, se tem oficina ou mutirão na sua região, manda que entra. Sem custo e sem contrapartida.

O boletim é feito no Pico Alto, mas não é sobre o Pico Alto.
Como mandar pauta: qualquer pessoa pode indicar encontro, curso, lançamento ou aviso que interesse a quem pratica. É só chegar pelo Instagram @picoaltobushcraft. Entra o que for verificável e útil, com crédito de quem mandou.
Agenda nacional02/09

Quatro datas para fechar o ano

Outubro tem encontro no Nordeste. Novembro tem três, em três regiões. Data, lugar, preço e quem estará em cada um.

16-18/10
EMCG, Paraíba
15-16/11
Bushcraft Weekend, SP
20-22/11
11º ENGB, Rio
nov
Guilda, Cerrado

O segundo semestre do bushcraft brasileiro está definido, e ficou bem servido: são quatro encontros em quatro regiões, cada um com um tamanho e um jeito, e os quatro abertos a quem quiser chegar.

Em outubro, de 16 a 18, acontece o EMCG, o Encontro dos Mateiros em Campina Grande, na Granja Terraço do Mocó, em Massaranduba, na Paraíba. Ingresso de cem reais, tema bushcraft como estilo de vida, homenagem ao Nessmuk.

Novembro concentra três. Nos dias 15 e 16, o Bushcraft Weekend em São Paulo, com fogo primitivo, manejo de lâminas, nós, abrigos e faca Morakniv inclusa. De 20 a 22, o 11º ENGB no Rio, no Camping Clube Brasil. E, em data ainda a confirmar, o Guilda Bushcraft, no Cerrado, que se anuncia como o maior encontro do Centro-Oeste.

Somando com o Moidu, que já rolou no Rio Grande do Sul em maio, e com o BushDay de abril, o ano fecha com seis encontros de peso espalhados de norte a sul. Nada mal para um meio que muita gente ainda acha pequeno.

E tem um reencontro marcado para o ano que vem: o Hupur Bushcraft, do Humberto Costa, volta em 2027 com mais estrutura e em um lugar preparado para receber todo mundo como ele merece. Quem já foi sabe que o Hupur é menos evento e mais família no mato, e a gente vai estar lá.

Novembro tem três encontros em três regiões. Quem quiser ir a mais de um, escolhe agora.
Por que a gente reuniu tudo aqui: cada encontro divulga no próprio canal, no próprio grupo e no próprio perfil, e quem não é daquele círculo não fica sabendo. Vale seguir a fonte de cada um: @engbbushcraft, @emcgbushcraft, @guildabushcraft e @bushdaybr. Calendário junto, num lugar só, é a coisa mais simples que faltava.
Agenda nacional03/09

11º ENGB, 20 a 22 de novembro, no Rio

Três dias, mais de seis palestras, ingresso à venda e o primeiro nome já confirmado no palco.

11ª
edição do encontro
3
dias de imersão
6+
palestras e oficinas

O Encontro Nacional de Grupos de Bushcraft e Atividades Outdoor anunciou no fim de julho a data e o local da 11ª edição: de 20 a 22 de novembro de 2026, no Camping Clube Brasil, unidade Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. É espaço com estrutura rodada há décadas, o que muda bem a logística de quem vai de longe.

São três dias de imersão, com mais de seis palestras, oficinas e momentos solenes, logística por conta da organização. A edição marca os 11 anos do encontro. Os ingressos já estão à venda no site oficial, e a organização atende pelo WhatsApp (21) 99877-7997 e pelo contato@engb.com.br.

O ENGB não é evento de instrutor no palco com plateia sentada. É encontro de grupos. Cada grupo chega com o que sabe fazer, monta seu canto, e o aprendizado acontece na circulação entre as barracas. Quem já foi conta a mesma coisa: o que fica não é a oficina, é a conversa que começou na fila do café e terminou às duas da manhã com alguém desenhando um nó no chão.

O primeiro palestrante confirmado no 11º ENGB é Giuliano Toniolo, o Mestre do Mato. É um dos mateiros que a gente reconhece por aqui como referência do bushcraft brasileiro, e ouvir de perto quem tem estrada é diferente de assistir a vídeo.

Pra quem ainda não conhece a fundo: ele fundou a Escola Mestre do Mato em 2008, que virou referência nacional em formação de técnicas de sobrevivência, bushcraft e preparação para situações extremas. Quase duas décadas de campo, formando gente que hoje conduz os próprios grupos Brasil afora. Boa parte do vocabulário que a gente usa sem pensar chegou aqui por esse caminho.

Ele também escreveu dois livros que valem a estante de quem leva a coisa a sério. O Guia Básico de Sobrevivência em Ambientes Naturais Hostis do Brasil é manual de técnica essencial, pensado pra mata e montanha brasileiras, não traduzido de realidade de outro país. O segundo, Nos Rastros das Antigas Tradições, é de outra natureza: mergulha nas origens do bushcraft clássico, com inspiração na primeira metade do século 20, misturando técnica de campo, reflexão e relato de experiência real. É o tipo de livro que muda o jeito de olhar pra prática, não só o jeito de executar.

Quem quiser conhecer o material da escola, os produtos estão reunidos na Survivor Gear, loja que ele fundou com Daniel DeLucca: facas, canivetes, livros, acessórios e vestuário, tudo saído da linha da escola. Fica em survivorgear.com.br.

Novembro parece longe, mas não é. Encontro nacional se organiza com três meses de antecedência: carona, rateio de combustível, quem leva o quê, quem dorme onde. Quem tiver interesse, é agora que a gente fecha o grupo.
Agenda nacional04/09

EMCG: o Nordeste tem encontro em outubro

Três dias na Paraíba, por cem reais, com o Toniolo entre os convidados. E quase ninguém no Sudeste sabe disso.

O Encontro dos Mateiros em Campina Grande acontece de 16 a 18 de outubro, na Granja Terraço do Mocó, em Massaranduba, na Paraíba. O ingresso é de cem reais, e o tema desta edição é bushcraft como estilo de vida, com homenagem ao Nessmuk.

A grade de oficinas tem Evilásio Cavalcante, Rodrigo Capitão, Fábio Góes, Ed Silva e o próprio organizador, Arthur Jorge, com participação especial de Giuliano Toniolo. O apoio é da Escola Catarinense de Bushcraft, o que dá bem a medida de como o meio se costura de ponta a ponta do país.

Arthur Jorge é um dos mateiros que a gente reconhece por aqui como referência. Ele mantém um canal com quase três mil inscritos dedicado ao bushcraft do Nordeste, com séries sobre as plantas da caatinga, e escreveu o livro Bushcraft na Caatinga, um guia de como usar os recursos do bioma na prática, prefaciado pelo Jorge do Mato Verde. Informação: (83) 98104-1781.

Vale dizer em voz alta: bushcraft de caatinga não é bushcraft de Mata Atlântica com menos água. É outro conjunto de plantas, outro fogo, outra corda, outra sombra. Quem só pratica no Sudeste tem o que aprender em três dias na Paraíba.
Movimento05/09

O outro movimento: BushDay, e um convite pra nós

Um formato nacional em que ninguém precisa viajar: cada grupo acende a própria fogueira, no mesmo fim de semana.

Existe um segundo formato nacional que vale conhecer, porque a lógica dele é diferente e a gente se encaixa nela sem esforço. O BushDay Brasil, que rodou a terceira edição em abril, é descentralizado: no mesmo fim de semana, cada grupo organiza o próprio encontro no seu canto do país, e o conjunto vira um movimento simultâneo de norte a sul.

A organização é explícita quanto ao que conta: um acampamento simples, uma caminhada ou um dia de prática na natureza já fazem parte do movimento. Não precisa de estrutura de evento grande. Grupos de Minas, São Paulo e do Sul já entraram nas edições anteriores.

Ou seja: não precisa viajar pro Rio pra participar de algo nacional. Precisa acender a nossa fogueira aqui, no nosso mato, na data em que o Brasil inteiro está acendendo a dele. Fica a proposta de o Pico Alto entrar como grupo anfitrião na próxima edição. É do tamanho do que a gente já faz.

Só pra situar no calendário do ano: o BushDay roda em abril, de forma descentralizada, e o ENGB fecha o segundo semestre em novembro. Fora do Brasil, o Bushcraft Symposium, em Portugal, aconteceu de 24 a 26 de abril, no Centro Ciência Viva de Constância, e serve de referência de como o pessoal de lá organiza encontro de bushcraft.

Segurança06/09

Atenção do mês: fogo em período proibitivo

São Paulo está em período proibitivo de uso do fogo até 30 de novembro. O que isso muda, e o que continua permitido.

O estado de São Paulo está em período proibitivo de uso do fogo desde 1º de julho, e assim segue até 30 de novembro, por lei estadual. Vale para o estado inteiro, não para uma cidade ou uma região. A Defesa Civil mantém em paralelo a fase vermelha de incêndio florestal de junho a outubro, quando a umidade despenca e qualquer descuido vira ocorrência.

É importante entender o que a norma alcança. O período proibitivo trata do uso do fogo em vegetação, aquele que se espalha: queima de resto de poda, limpeza de terreno, fogo aceso direto no chão em área com material seco em volta. Não é uma proibição genérica de cozinhar ou de aquecer água. O que ela cobra é que o fogo não tenha como escapar.

Na prática, isso quer dizer duas coisas. Onde existe área preparada para fogo, e muito camping tem, é ali que ele acontece: fogueira em área delimitada, com o chão limpo e sem material combustível ao redor. Onde não existe área preparada, o fogo, se for possível, deve ficar isolado do solo e da vegetação, em recipiente elevado, ou simplesmente não acontecer, e o café sai no fogareiro.

As três regras que não mudam, seca ou não: área limpa em volta, sem folha, galho ou raiz seca alcançando o fogo. Água ao alcance da mão, não a dez passos. E ninguém sai de perto enquanto a brasa não estiver fria de encostar a mão, porque brasa coberta de cinza guarda calor por horas.

Área particular tem regra própria, e ela não substitui a do órgão gestor: em unidade de conservação, quem manda é o órgão que administra a área, e o combinado com quem recebe você vem depois disso, nunca em lugar disso. Antes de acender qualquer coisa, inclusive fogareiro, a pergunta certa é o que aquela área permite.

Se o vento estiver forte o bastante pra levantar cinza, não é dia de acender.
Vale lembrar que o período proibitivo não é burocracia: ele existe porque a maior parte dos incêndios em vegetação no estado começa em fogo aceso por gente, não em causa natural. Quem pratica no mato tem interesse direto em que a mata não queime.
Quem caminha junto07/09

EX-FA, equipamento feito por quem usa

A parceira do Pico Alto desde o começo nasceu de um canal de família na estrada, e faz o que testa no próprio uso.

Antes de fabricar qualquer coisa, a família passou anos em trilha, camping e expedição. O canal Explorando em Família nasceu desse rodízio de estrada, e a EX-FA nasceu do canal. É uma ordem que importa: o equipamento veio depois do uso, não antes.

A linha reflete isso. Tarp, poncho multifuncional, rede de camping, underquilt e acessórios, coisas que resolvem abrigo e conforto sem inventar necessidade. Eles trabalham também sob medida, desenvolvendo do zero o que o cliente precisa, o que é raro em fabricante pequeno e diz bastante sobre o tipo de relação que eles querem ter com quem compra.

No Pico Alto a parceria é antiga e prática. A EX-FA já mandou poncho pra sortear em encontro nosso e mantém condição de parceiro pra quem é do movimento. É gente que fala a mesma língua: sem espetáculo, sem pose, produto que aguenta o que promete.

Ficam em exfa.com.br e no Instagram como @explorandoemfamilia.

A EX-FA é uma das marcas que apoiam este boletim, junto com a Atlas Lab. Aparecem aqui porque são de casa: a parceria com o Pico Alto é anterior ao boletim e continua sendo de mão dupla.
Prática08/09

Prática da quinzena: o nó que você usa de verdade

Com o fogo pedindo recuo, a corda entra no lugar. Mostra o seu nó.

Enquanto o fogo pede recuo, a corda não pede nada. Esta quinzena é de nó, que é a técnica que mais rende no acampamento e a que mais se esquece quando não se pratica.

Mostra o nó que você usa de verdade, não o mais bonito do caderno. Aquele que você dá no escuro, com a mão fria, pra armar lona, esticar varal, prender carga no carro ou pendurar a panela. Foto ou vídeo curto, com o nome que você dá pra ele e onde usa.

Manda no grupo, ou posta no seu perfil marcando @picoaltobushcraft com a tag #praticadoalto. Junto tudo e devolvo aqui num quadro, com o nome de quem mandou.

Vale também o contrário: o nó que você nunca aprendeu direito e queria dominar. Junto os pedidos e a gente resolve na prática, no próximo encontro.
A comunidade09/09

De onde vem o Pico Alto

Quem faz este boletim, de onde veio e o que sustenta a coisa toda.

Já que este é o primeiro boletim, vale dizer em voz alta o que a gente é. O Pico Alto Bushcraft é uma comunidade de pessoas que escolheram voltar pro mato com intenção. Não como fuga, como reencontro. A gente se reúne pra caminhar, acender fogueira, trabalhar madeira com as mãos, cozinhar no fogo, ver o amanhecer em silêncio e conversar como gente que tem tempo.

A história começa num lugar comum: procurando gente pra ir ao mato junto, e não achando. Foi lendo o livro do Humberto Costa que o termo bushcraft ganhou nome pro que já se fazia desde menino, e de lá pra cá vieram os cursos, as vivências, as amizades e a vontade de reunir um grupo por aqui, na nossa região.

O primeiro encontro aconteceu em 2025, na região da Pedra Grande, em Atibaia. Choveu do começo ao fim. Ninguém foi embora, a fogueira virou ponto de encontro automático e a conversa durou mais que a chuva. Foi ali que ficou claro que aquilo não era um evento, era um grupo. O segundo encontro veio em julho de 2026, com trilha, paella feita no fogo por um amigo que cozinha contando história, instrução de lâminas conduzida por outro, oficina de nós na fogueira, escuta do amanhecer e feira de escambo pra fechar.

A base oficial é em Morungaba, São Paulo, e a gente circula por onde o mato deixa: serra, cachoeira, camping e trilha da região, sempre que aparece um lugar que valha a caminhada.

O que sustenta isso são princípios que não se negociam. Presença acima de tudo, com a pressa deixada na cidade. Fazer com as mãos, porque quem faz com as mãos entende com o corpo. Comunidade e não plateia, onde ninguém vem assistir e todo mundo contribui com o que sabe. Integridade, papo reto, sem fofoca. Respeito ao lugar, sem rastro e sem sobrecarga. E simplicidade: menos equipamento, menos programação, mais tempo livre e mais mato.

Tem ainda uma segunda metade que não é comum em grupo de bushcraft, e é ela que dá o tom dos nossos encontros: a contemplação. Amanhecer escutando a paisagem sonora, fotografia contemplativa, silêncio como parte da programação. Mãos na terra e olhar atento, na mesma vivência.

Choveu do começo ao fim, e ninguém foi embora.
Bushcraft e contemplação, mãos na terra e olhar atento. É dessa junção que os encontros do Pico Alto nascem, e é ela que dá o tom do que você vai ler aqui a cada quinze dias.

Manda a sua pauta

Encontro do seu grupo, turma da sua escola, oficina, mutirão, aviso de área. Entra o que for verificável e útil para quem pratica, com crédito de quem mandou. Sem custo e sem contrapartida. Eu leio tudo antes de fechar cada edição.