Nesta edição: a Guilda Bushcraft, que reúne os amigos do mato em Brasília de 6 a 8 de novembro, com o primeiro lote vencendo no domingo, 25; o resto do calendário em uma página, do ENGB ao Moidú de 2027; seis vídeos que valeram a quinzena, abrindo com o Vereda Sertaneja; a makiri, faca do povo Ainu; a tucandeira, a formiga no topo da escala de dor; o umbuzeiro, a árvore que guarda água na raiz; e o temporal com raio como atenção do mês.
Brasília reúne os amigos do mato
A Guilda Bushcraft nasceu dentro de um torneio de caiaque, virou álbum de figurinhas de oficina e chega à segunda edição com nome de convite: Reunindo Amigos. O primeiro lote vence no domingo, 25.
A Guilda Bushcraft se apresenta como um encontro de praticantes de bushcraft, sobrevivência e outras atividades ao ar livre, com a reconexão com a natureza, a preservação dela e as técnicas ancestrais no centro. A segunda edição, Reunindo Amigos, acontece de 6 a 8 de novembro no Clube Gravatá, na DF-190, em Ceilândia, no Distrito Federal, a uns 52 quilômetros do aeroporto, com o último quilômetro e meio em estrada de chão. A data tem história: o encontro foi adiado em janeiro para não bater com as eleições de outubro.
A Guilda nasceu num lugar improvável. Em 2023, o Wellington Aranha, que organiza há anos um circuito de pesca esportiva de caiaque em que o peixe é medido e solto, levou o bushcraft para dentro das etapas do torneio. Foram três Guildas piloto naquele ano, a primeira numa fazenda à beira do lago em Alexânia, em Goiás. A ideia, contada por ele e pelo Moraes no BushCast 98, de dezembro de 2023, era juntar dois mundos: caiaqueiro que vira precisa saber se virar no mato.
Na segunda etapa, com público de 300 a 400 pessoas, nasceu a ideia que define o espírito do encontro: um livreto em forma de álbum de figurinhas, em que cada oficina feita valia um adesivo, e quem completava entrava no sorteio. As crianças, contaram, corriam atrás dos oficineiros para completar o álbum. E o nome vem das guildas medievais de ofício, que iam de cidade em cidade trocando conhecimento. Quem disse primeiro que aquilo era uma guilda, segundo eles, foi o Giuliano Toniolo.
Desde o começo, a Guilda saiu do próprio terreno. Como contrapartida às prefeituras que receberam as etapas piloto, a equipe levou demonstração de fogo e conversa sobre meio ambiente a escolas da região, e numa delas, contaram, eram cerca de 500 crianças reunidas num ginásio. Em 2024 veio a primeira edição com data própria, já fora do torneio, com gente de vários estados, o Jorge, do Mato Verde, entre eles, e uma faca forjada durante o encontro e sorteada no fim. O churrasco daquele ano, nas palavras dos organizadores, foi fenomenal, e é por isso que ele volta.
O formato de 2026, detalhado pelos organizadores no BushCast 221, de 22 de setembro, é de oficinas simultâneas e livres, sem parar o encontro para palestra. A lista citada por eles: uma aldeia bushcraft montada pelo Moraes, fogo primitivo, arquearia, colheres com o Carving Club Cerrado, comida típica do Cerrado, nós e amarras, cutelaria com forja acesa, lâminas, orientação e navegação, rastreamento, e preparação da família para emergência, com mochila de emergência até para o bicho de estimação. O Toniolo abre as palestras falando das raízes do bushcraft no Brasil, ao lado do Cel Montibeler, e o Humberto Cerrado fala das fitofisionomias do bioma e das plantas comestíveis e venenosas. No sábado, porco no espeto de bambu, feito pelo Nicolai Mirsky. A feira, com a loja da Guilda e os estandes de parceiros, fica na área das piscinas, por onde todo mundo passa, e entre uma oficina e outra se anda pouco mais de cem metros. E o Fórum Bushcraft Brasil faz ali o primeiro encontro presencial dele.
Quem vai já dá a medida. O Toniolo, da Escola Mestre do Mato, foi anunciado em 12 de outubro, e chega depois de passar pelo EMCG, na Paraíba, nesta semana. Em 10 de outubro vieram o Cel Montibeler, fundador da Via Radical Brasil, e o Engler, instrutor da mesma escola e mergulhador profissional. No dia 9, presença em massa do Bushcraft Brasília e dos Guerreiros. E em 13 de outubro, o Victor Vallim, presidente do Bushcraft Brasília, que a Guilda apresentou como o maior grupo de bushcrafters do país, e fundador do Carving Club Cerrado.
A estrutura pesa na decisão de quem vem de longe. O camping está incluído no ingresso, com barraca, rede ou tarp, e há árvore para isso; o café no fogareiro está liberado, e almoço e jantar ficam com os três restaurantes do clube. Para quem prefere teto, há chalés para quatro pessoas, com ar e banheiro, a 250 reais pelos três dias, e barracas para alugar, as duas reservas pela organização a partir de 20 de outubro. Tem bebedouro de água potável, equipe de primeiros socorros com enfermagem e veículo pronto. A portaria fica aberta dia e noite, com vigia, e a piscina aquecida do clube funciona até as 22h. E uma regra que diz muito: bebida alcoólica só na área dos restaurantes, nunca nas oficinas, porque nelas tem faca.
O primeiro lote custa 130 reais e vale os três dias, com o camping. A meia entrada, de 65 reais, é para quem tem mais de 60 anos, menos de 12 e para estudantes, com comprovação na chegada. Os dois valem até domingo, 25 de outubro, às 23h59, pela página do encontro no Doity. A recepção começa às 6h da sexta, com pulseira numerada, e a abertura oficial é às 16h, no palco principal. Quem organiza é o próprio grupo Guilda: Wellington Aranha, Wester Silva, Alex Moraes e Nicolai Mirsky.
É encontro de amigos no nome e no jeito, no meio do Cerrado, com criança correndo atrás de oficina e mestre falando de raiz. Para sentir o clima antes, o BushCast 221 tem uma hora e meia só sobre a Guilda. Vai e quer combinar carona ou caravana? O grupo do Pico Alto é o lugar. E duas semanas depois, o ENGB fecha novembro no Rio, na agenda desta edição.
O resto do calendário, em uma página
O ENGB, o EMCG desta semana, duas datas de outubro e as primeiras de 2027. E o que tem lá fora, para quem acompanha.
O 11º ENGB, de 20 a 22 de novembro no Recreio dos Bandeirantes, no Rio, já anunciou oito presenças: Henrique Fonseca, vencedor do Largados e Pelados Brasil, o biólogo André Assalim, o Ivan, do Ambiente Selvagem, os grupos CLA Adventure, Rio Sul Trekking e Tamo Junto na Trilha, o Jocimar Bruno e o Cosendey Bushcraft. A entrada é gratuita em 2026; paga-se só o camping. Pelo guia do participante, não há fogueira, não se pernoita em abrigo improvisado nem em bivaque, e a água potável vai na mochila. O BushCast 223, de 5 de outubro, é todo sobre o encontro.
Nesta semana, de 16 a 18, o EMCG reúne o Nordeste em Massaranduba, na Paraíba, com Fábio Góes nos nós e amarras, Evilazio Cavalcante no fogo primitivo, Ed Silva na cestaria, Arthur Jorge no woodcarving, Jonatas Anjos nos primeiros socorros e participação especial do Toniolo. A inscrição já fechou. No sábado, 24, o Mota Bushcraft faz a última oficina do ano, Lâminas e Fogo na Natureza, no Camping Mairiporã, na Grande São Paulo. E o Intensive da Escola Catarinense de Bushcraft, com o Leocir Dambrós em Garuva, segue marcado para 31 de outubro e 1º de novembro.
Depois de novembro, a Escola Mestre do Mato, de Lagoa Santa, Minas Gerais, tem turmas em 12 e 13 de dezembro, de 1º a 7 de março de 2027, no Cobra Criada completo, e em 10 e 11 de abril. E o Moidú, no Rio Grande do Sul, abre de 30 de abril a 2 de maio de 2027, e passou outubro apresentando os apoiadores, entre eles o Cris Rossbach, a quem o encontro chamou de um dos precursores do bushcraft no Brasil. O BushDay ainda não marcou 2027.
Lá fora, no mesmo fim de semana do ENGB, o Bushcraft Village Spring Camp Out reúne famílias de 19 a 22 de novembro em Pillar Valley, na Austrália, organizado por voluntários, com primeiro lote até 25 de outubro. O Danish Outdoor Festival, na Dinamarca, marcou de 23 a 25 de abril de 2027, com feira, oficina e camping no mesmo gramado. O Bushcraft Show inglês voltou ao preço cheio, 134 libras o fim de semana, e o Spoonfest abre ingressos em 6 de março.
Sua data não está aqui? Manda pelo direct do @picoaltobushcraft. Entra na próxima edição e no mapa, sem custo e sem contrapartida.
Seis vídeos que valeram a quinzena
Do sertão do Ceará ao Pará, passando por Goiás e Santa Catarina. E dois deles falam de erro, o que é raro e vale mais que acerto.
Abre a lista o Fernando Riça, do Vereda Sertaneja, no Ceará, que publicou em 10 de outubro um dia inteiro de acampamento na Caatinga. O desafio, ele mesmo diz logo na descrição, foi o calor: estava quente, e mesmo assim aproveitou o dia e acendeu o fogo de lenha para cozinhar. Vale pela Caatinga como ela é, e por ser o registro honesto que o vídeo seguinte pede.
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Arthur Jorge, de Campina Grande, na Paraíba, publicou em 5 de outubro um desabafo. Ele critica perfis que mostram uma Caatinga que não existe para viralizar, e lembra que identificar planta errado pode matar. Depois segue a trilha até um açude e mostra as tampas entalhadas que leva para o EMCG. Vale pelo recado, raro de ouvir de dentro do meio.
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O canal Pará Selva Amazônica publicou em 10 de outubro o relato de um acampamento suspenso montado às pressas no lugar errado: embaixo de uma árvore de fruto, a orelha-de-macaco, com muito rastro de bicho por perto, uma noite inteira de vigia e uma picada de formiga tucandeira. Amazônia, e um erro de escolha de local contado por quem errou.
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Rafael e Carol, do Depois da Curva, gravaram em Garuva, Santa Catarina, o módulo Bushcraft Coletor da Escola Catarinense de Bushcraft, com mais de 30 alunos, e publicaram em 11 de outubro: palmito da bananeira, canela-de-velho, machado e pão de caçador. Vale com a ressalva do Arthur Jorge na cabeça: o que o vídeo diz sobre uso medicinal de planta é registro do curso, não orientação de saúde.
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Os Lobos do Cerrado, grupo de Goiás, publicaram em 5 de outubro um pernoite em turma que sai às 5h30, debaixo de chuva, monta base numa grota com água e segue as pistas de um bando de javalis. O Cerrado visto por um grupo de 462 inscritos.
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E o Davi Salvador, do Toca do Índio, contou em 11 de outubro o dia em que se perdeu na mata, aos 15 anos. Os quatro erros, nas palavras dele: foi sozinho sem avisar ninguém, deixou água, fogo e lanterna para trás, não marcou a trilha e deixou o desespero tomar conta. Saiu porque o celular pegou e mandou a localização ao primo. Fecha recomendando apito no pescoço e parceiro de confiança.
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A makiri, a faca que fazia tudo
O povo Ainu, do norte do Japão, entalhava bandeja, cabo e presente com uma faca só. É um bom argumento para quem acha que precisa de mais ferramenta.

Os Ainu são o povo indígena de Hokkaido, a ilha mais ao norte do Japão. Só foram reconhecidos em lei como povo indígena em 2019, numa lei criticada por não garantir autodeterminação. A tradição de entalhe deles mora até hoje no vale do rio Saru, em Nibutani, no município de Biratori.
A makiri é a faca de trabalho Ainu. Lâmina curva, um gume só, e o bisel também de um lado só. O cabo é de madeira, segue a curva da lâmina e quase sempre é entalhado. A mulher levava a menoko-makiri, um pouco menor.
O que chama a atenção é o que se fazia com ela. A Universidade Feminina de Kyoto, que estuda a tradição, registra que antigamente os Ainu entalhavam a ita, a bandeja de madeira de Nibutani, usando uma única faca, a makiri, ferramenta que homem e mulher carregavam sempre. A tábua da bandeja é cortada no sentido dos anéis e seca de dois a três anos antes do entalhe. Em março de 2013, a Nibutani-ita virou o primeiro produto de artesanato tradicional reconhecido oficialmente em Hokkaido.
A mesma fonte conta que, no pedido de casamento, o homem entalhava uma makiri com todo o capricho que tinha e dava de presente. A peça era a prova do trabalho.
Há também um objeto que quem pratica bushcraft vai reconhecer de olho, e que precisa ser dito com cuidado. O inaw é um bastão de salgueiro raspado em lascas encaracoladas, parecido com o graveto de lascas que se faz para acender fogo. Mas o inaw é objeto de oração, oferecido aos kamuy, as divindades Ainu. Não é a origem de técnica nenhuma de acampamento, e o assunto para por aqui.
O que isso muda para quem pratica aqui? Primeiro, uma faca curta e bem afiada basta para muito mais do que se imagina. Segundo, a secagem lenta, a mesma lição da kuksa: madeira apressada racha. Terceiro, um cuidado: a makiri tem bisel de um lado só, e quem afia uma Mora não deve copiar esse bisel sem saber o que está fazendo. A prática da quinzena sai daqui.
A formiga que está no topo da dor
A tucandeira picou o autor de um dos vídeos desta quinzena. Ela é a única que chegou à nota máxima da escala de dor de picadas, e mora na base da árvore em que a gente apoia a mão.

A tucandeira, Paraponera clavata, passa de dois centímetros e vive em floresta em quase todo o Brasil; no Nordeste, os registros são escassos. O ninho costuma ficar na base das árvores, e ela caça outros invertebrados. Quem conta é a pesquisadora Itanna Oliveira Fernandes, do Inpa, que lembra também que a espécie vem diminuindo com o desmatamento.
A fama vem da picada. O entomologista Justin Schmidt montou uma escala de dor de picadas de inseto que vai de 1 a 4, e no artigo de 1983 a tucandeira foi a única espécie com nota 4. A descrição que ele deixou, traduzida: dor pura, intensa, brilhante, como andar sobre carvão em brasa com um prego de três polegadas cravado no calcanhar.
O responsável é a poneratoxina, uma pequena proteína do veneno que age nos canais de sódio dos nervos. Ela impede que esses canais se fechem, e o sinal de dor continua disparando.
Para o povo Sateré-Mawé, do Amazonas, a tucandeira está no centro da Waiperiá, a festa da tucandeira, que marca a formação do guerreiro e a passagem do menino para a vida adulta, com uma luva trançada de palha. É cerimônia, e o assunto para por aqui.
Na prática, para quem anda em mata: olhar antes de apoiar a mão no tronco ou na base de árvore, que é onde fica o ninho. Se picar, não há ferrão para tirar. Gelo envolto em pano ajuda na dor, e anti-inflamatório e antialérgico por via oral também, segundo o Manual MSD. Procure atendimento se vier reação alérgica ou coração disparado, e vá ao hospital se a garganta inchar, faltar ar ou a pessoa desmaiar.
A árvore que guarda água na raiz
Euclides da Cunha chamou o umbuzeiro de árvore sagrada do sertão. A razão está embaixo da terra, e é também por isso que ele precisa de cuidado.

"É a árvore sagrada do sertão. Sócia fiel das rápidas horas felizes e longos dias amargos dos vaqueiros." Assim Euclides da Cunha apresentou o umbuzeiro em Os Sertões, de 1902, e logo depois explicou o motivo: as reservas guardadas nas raízes, que a árvore reparte com o homem. Alimenta-o e mitiga-lhe a sede, escreveu.
O umbuzeiro, Spondias tuberosa, só existe no Semiárido brasileiro, e é espécie da Caatinga. As raízes têm umas batatas chamadas xilopódios, que guardam água e nutrientes para atravessar a seca. As estimativas variam conforme a fonte, e uma publicação da Embrapa Semiárido fala em cerca de 4 mil litros de solução aquosa por planta adulta. Na seca, a árvore perde as folhas, e floresce antes de soltar as novas. A mesma publicação registra que Lampião usava as túberas para guardar alimento e matar a sede.
O umbu, o fruto, tem safra curta, de uns três meses, e na Bahia ela vai em geral de janeiro a março. É renda de muita família no sertão, mas o extrativismo caiu pela metade entre 1990 e 2000, de cerca de 20 mil para 10 mil toneladas, segundo a Embrapa.
E aqui está o cuidado. A regeneração do umbuzeiro na Caatinga nativa é muito baixa. Cabra come a planta jovem, e caititu e tatu-peba comem o xilopódio das mudas, o que as mata. Num levantamento no Cariri paraibano, a Embrapa achou uma única planta jovem em quatro municípios.
Para quem pratica no sertão, como o Vereda Sertaneja do primeiro vídeo desta edição, a lição é dupla. A água do mato é a que se leva na mochila. E a batata do umbuzeiro é a reserva da árvore para a seca: não se cava.
Atenção do mês: temporal e raio no acampamento
A estação virou. A Defesa Civil de São Paulo emitiu alerta de temporal com raio para todo o estado, e novembro, mês dos encontros, é mês de tempestade.
A Defesa Civil de São Paulo alertou para temporais em todo o estado de 13 a 15 de outubro, com granizo, raios e rajadas de vento. O Inmet previu vento de 60 a 100 quilômetros por hora e chuva de até 100 milímetros por dia. O aviso trouxe também o que pesa para quem acampa: com o solo saturado, sobe o risco de enxurrada e de cheia de rios e córregos.
O grupo de eletricidade atmosférica do Inpe, o ELAT, levantou 1.792 mortes por raio no Brasil entre 2000 e 2014. Duas em cada três aconteceram ao ar livre, 43% no verão, e a zona rural responde por um quarto do total.
O que a Defesa Civil e o ELAT orientam, e o que isso quer dizer no acampamento. Abrigo de verdade contra raio é edificação ou veículo fechado, não conversível, com portas e vidros fechados. Barraca, lona e tenda não protegem: o ELAT inclui a tenda entre os abrigos a evitar. Debaixo de árvore também não, e menos ainda de árvore isolada. Quem arma rede e lona entre árvores precisa saber que, com raio, aquilo deixa de ser abrigo.
Sem abrigo seguro por perto, a orientação é sair da área aberta, afastar-se de pontos altos, de cercas de arame e de objetos metálicos, e não carregar vara nem cano. Pés juntos, agachado, até a tempestade passar. Deitar no chão, não.
O ponto de virada é o primeiro trovão. A orientação é não esperar a chuva apertar: ouviu trovão ou recebeu o alerta, é hora de ir para o abrigo, e não de terminar de montar a lona.
E a água, que vem junto. A Defesa Civil pede para evitar áreas baixas perto de rios e córregos durante o temporal. É a mesma escolha do lugar onde armar: barraca na beira do córrego é bonita na foto e é o primeiro ponto que a cheia alcança.
Vale lembrar que o guia do 11º ENGB já avisa que o encontro não será cancelado por chuva, e que proteger a própria estrutura contra chuva e vento é responsabilidade de cada um. Em emergência, 199 para a Defesa Civil e 193 para os Bombeiros. E o lembrete da estação: a fase vermelha da Operação SP Sem Fogo vai até o fim de outubro, pelo calendário oficial.
Prática da quinzena: uma faca só
Com temporal na previsão, a prática desta quinzena é de varanda, e é a da makiri: entalhar usando só a faca.
Entalhe uma espátula ou uma colher de mexer panela usando só a faca, sem serra, sem formão, sem goiva. Serve um galho verde de poda ou caído, e a faca afiada da edição passada é a ferramenta. Quem quiser, faz um desenho de linhas no cabo, à maneira da ita de Nibutani.
Manda a foto, dizendo a madeira e para quem é a peça: no grupo do Pico Alto no Instagram, é só postar; no seu perfil, marcando o @picoaltobushcraft com a tag #praticadoalto, em minúscula e sem acento. O que chegar vira matéria, com crédito.